16 de novembro de 2009

Agora fodeu!

14 de novembro de 2009

being trintage

será que vai dar tempo? de se apaixonar (pra sempre) mais 8 vezes? de ver todos os filmes do mundo? de se sentir piegas e falar tudo o que vem à cabeça? de fazer um musical? de montar Tennesse Williams, de parar de fumar mais uma 20 vezes, mudar de hábitos, mudar de princípios, mudar de tarefas, de anseios, de dúvidas. vai dar tempo pra mais uns 40 porres? de mais fanta uva, de mais junk food nights, de montar uma banda, ter uma restaurante, de gastar tempo e dinheiro à toa, de sentir saudade, de passar horas no telefone, de desenhar, de escrever, de ler todos os livros que estão empilhando no criado mudo? vai dar tempo de casar, ter dezenove filhos, fazer panqueca no domingo de manhã, de espreguiçar o dia inteiro, de montar mais 70 espetáculos, de atuar com a Fernandona, de trabalhar com o Von Trier, de tomar mais 554 banhos de mar, conhecer a Índia, a Polônia, fazer picnic no Himalaia, andar de bicicleta na China, tomar um café com o Saramago, levar meus pais pra viajar, decorar uma casa. vai dar tempo de dizer pro Tom Waits que ele é o melhor cantor do mundo? de fazer tour pela lua, mãos dadas, beijos malucos e olhares de cinemascope. vai dar tempo de atravessar o atlântico à nado?

...vai dar tempo pra aprender a olhar e ver?
...vai dar tempo de aprender a respirar?

1 de outubro de 2009

Zapeando



Jaraguá do Sul. Frio. O Hotel tem aquecedor [pelo menos isso]. Clima de dia "cocô." Garoa, ventinho, céu cinza. Primeiro dia de temporada curta aqui com O Menino do Dedo Verde no Teatro novo do SESC que é uma graça. Tá rolando um Festival de Teatro de Bonecos também. Todo mundo no bar e eu com cara de bunda e controle remoto na mão. Zapeio pra lá, zapeio pra cá e nada. Vejo um pedaço do programa novo do Brites... ele tá ótimo. Acabou o programa. Cochilo, fumo na janela, ando pra lá e pra cá. Em geral, é impressionante como a televisão me aborrece. Taís Araújo na novela das oito é algo terivelmente artificial [mas, o Mateus tá ótimo, ok!]. A MTV não pega aqui. Num canal evangélico um pastor faz uma epécie de exorcismo... muito medo. O seriado novo da Globo, "Aline", é qualquer bobagem. Jornal da Globo me deprime muitoooo. National Geografic mostrando zebras... não, né? Tem um canal passando videos dos "atores" e "cantores" do "High School Sucks"... se eu fechar o olho não sei qual é a diferença entre as 4 ou 5 cantoras adolecentes fazendo cara de "ai como eu sou gostosa"... porque elas todas cantam que nem a Mariah "Scare-me" e dançam que nem a Gretchen? Depois me perguntam porque eu não assisto televisão em casa... em casa eu sempre arrumo o que fazer... é uma virtude das pessoas rabugentas!

PS: Tem cerveja no frigobar: Brigado Deus!

25 de setembro de 2009

Nada certo, mas tudo em ordem

Ok ok... sobre o ultimo post: não se desesperem... a ficha tá caindo e a pessoa está em "paz"! Semanas corridas sem muito tempo pra nada e quando sobra um tempo ele cisma em ficar "pensando na vida" e fazendo terapia on line. Tudo caminhando bem. Ensaios do espetáculo novo em momento de reta final, mestrado meio abandonado em função disso e muito sono atrasado. No mais, muita neura com o retorno de saturno: medo de virar um geminiano ortodoxo... enfim, enfim, enfim, nada de muito importante pra dizer, mas me deu vontade de escrever. Queria ser que nem a Clarice que começa se perguntando porque e como começar e escreve algo válido (pra dizer o mínimo). Sono. Fui.

16 de setembro de 2009

O fora e o dentro...

"Forma é conteúdo", já dizia sei lá quem [desculpa, não lembro mesmo quem disse isso]. Sim, eu acredito nisso... acho que sim... já nem sei mais. Eu não entendo muito bem se eu devo manter isso na cabeça. Ok, eu explico meu pecado mortal: eu tenho uma profunda relação com a forma das coisas: eu adoro as formas, os desenhos, os espaços, as cores, ou seja, o exterior das coisas. Ando me preocupando com coisas "super importantes" como: não gosto do meu cabelo, não gosto da minha barriga, não gosto do meu nariz, não gosto disso, daquilo, e blá blá blá... sempre reclamando das formas... Não gosto da minha casa [sim, isso é grave...] porque tem azulejos que não combinam com nada, porque o filho da puta do dono do apartamento fez uma reforma tão "migué" que me deixa puto [quem reforma um apartamento usando quatro tipos de azulejos e cinco tipos de pisos? onde está o bom senso, Brasil?]. Enfim: é certo alguém se preocupar tanto com o exterior das coisas? Isso não deve ser "uma coisa de Deus" como diz a minha avó! Tudo isso diz respeito à forma.

Mas, eu tenho amigos fantásticos, um trabalho digno - mesmo me pagando indignamente pelo tanto que eu trabalho - com gente que admiro e acredito, tenho uma família que é uma insanidade e um orgulho gigantesco. Tenho certa ética e certo bom senso [eu juro que eu me esforço]. Isso tudo é conteúdo né?

E a forma é mesmo conteúdo? Eu confesso: organizo o quarto inteiro pra poder estudar com calma [se eu ver roupa pra tudo que é lado eu não fico calmo nunca]. Se o fora está em ordem eu fico mais tranquilo por dentro. Mas, se o fora é bonito eu fico bonito por dentro? Eu não chamo meus amigos pra ir na minha casa porque não tinha sala até bem pouco tempo. Tentei pendurar uma cortina semana passada na "nova sala" e as paredes - de tão velhas - não aceitavam o parafuso, e fiquei um dia inteiro mal humorado por isso.

Com o que você se preocupa mesmo, Daniel? Se forma é conteúdo, como o conteúdo pode virar forma? Li sei lá onde [acho que era o desgraçado do Feldenkreiss], que a autoconsciência diz respeito a aproximação entre o espaço exterior [como as pessoas nos vêem] e o espaço interior [como somos].

Tão bom ler e ser uma "pessoa reflexiva", né? Criar novos abacaxis pra descascar sem faca no meio da selva.

Ai oráculo! Ajuda aí, vai?!


7 de julho de 2009

Nostalgia Básica

saudades do meu tempo de "gordinho cinechato"



The Commitments, de Alan Parker (Irlanda, 1991)... filme da adolescência...

3 de julho de 2009

Estranhas Resenhas Músicais - Parte 1

por Enzo Potel,
poet
a, cozinheiro e portador de distúrbios psíquicos médios







Britney Spears já está em estúdio para novo álbum


Britney Spears deixou o mundo em alvoroço quando anunciou anteontem estar trabalhando em um novo álbum usando como base as obras mais importantes de William Shakespeare. O álbum, que se chamará “ShakeSpears”, tem lançamento mundial previsto para 2010, e o trecho de Macbeat que vazou recentemente pela internet promete ser um hit nas pistas. A cantora comentou em uma entrevista que está estudando há pelo menos cinco anos a semiótica dos textos shakesperianos, e não pretende fazer uma transposição óbvia, mas “reestruturar arquétipos... dar novas tessituras à interiorização das personagens”- disse ontem numa coletiva, usando trajes evidentemente masculinos e elisabetanos. Já seria uma referência à Viola de Noite de Reis?

A canção Ofelia dancing, confessou, é sua faixa preferida e abre o disco. “Tem uma doçura e um ritmo contagiante, que bate justamente de frente com a frieza que o Will imprimiu a Hamlet; gosto de trabalhar com esse paradoxal que não chega a confluir diretamente com os símbolos, mas a favor dos símbolos”.Uma agenda de shows já está confirmada e Britney passará longe da América Latina. “Sinto-me abençoada por ter nascido num país que fala língua inglesa; isso me ajudou muito nas pesquisas” conclui.

1 de julho de 2009

Adeus, Pina!

"Não me interesso em como as pessoas se movem, mas no que faz elas se moverem"

Pina Baush
(1940 — 2009)













Trecho de um texto de Fernando Eichenberg para a Revista Bravo:


Criança, a bailarina e coreógrafa alemã Pina Bausch costumava permanecer acordada até tarde da noite e passava boa parte do tempo sob as mesas do café-restaurante do pequeno hotel administrado por seus pais, August e Anita, na cidade de Solingen, onde nasceu. De seu semi-esconderijo, observava atentamente as relações em sua intensidade cotidiana: encontros e desencontros, casais que brigavam ou se apaixonavam, a força do amor que podia provocar mal-entendidos, a atração repentina ou mesmo a perda de um emprego. "Havia tantas pessoas, tantas coisas estranhas se passavam, a vida acontecia", disse certa vez.

A menina cresceu e, do assoalho da infância para as novas dimensões da vida adulta, suas perspectivas do mundo se ampliaram. Como coreógrafa, Pina Bausch revolucionou a arte da dança contemporânea no século 20 e se impôs nos palcos internacionais com um estilo próprio de dança-teatro, o seu Tanztheater. [...] "Tudo é tão forte. Eu gosto de olhar, sentir as coisas, e dar uma forma a tudo isso por meio de meu trabalho, deixar a vida e o amor emergir", diz em entrevista a BRAVO! num final de manhã em Paris, a silhueta esguia e longilínea acomodada numa das poltronas da platéia deserta do Théâtre de la Ville, escala da turnê de seu espetáculo Rough Cut.

A vida condensada em suas conexões humanas, com suas ambivalências, imperfeições, sofrimentos e alegrias é o leitmotiv das criações de Pina Bausch, encenadas pela sua companhia Tanztheater Wuppertal, com sede na pequena Wuppertal, uma cidade chuvosa do vale do Ruhr, próxima a Colônia. Conhecida do público brasileiro por diferentes turnês e mesmo um período de residência no país, que inspirou o espetáculo Água (2001), a coreógrafa traz agora a São Paulo e Porto Alegre mais um de seus trabalhos, Para as Crianças de Ontem, Hoje e Amanhã (2002).

A coreografia não é sobre crianças, mas uma tentativa de reencontrar por meio delas a imaginação, os sonhos e a credibilidade da infância. Em meio ao cenário composto de três imensos muros brancos, móveis e perfurados por duas grandes portas, 14 bailarinos dançam, brincam e se arriscam de forma ao mesmo tempo perigosa e lúdica em contrapontos entre o imaginário infantil e a difícil passagem para a vida adulta. "Crianças são tão sensíveis, frágeis. Não tenho palavras para o sofrimento delas em tantas partes do mundo. Experiências que provavelmente não desaparecerão tão facilmente", diz. Mas, fiel ao seu otimismo-realista, ela abre espaço para um futuro menos dolorido: "Como podemos continuar com isso, como podemos manter a esperança? Se você puder rir já é algo, uma esperança".